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Um gole de café e dois dedos de prosa
 


O Primeiro de 2011 (atrasado!)...

"Cada marca deixada nítida ou imperceptível,

evidente ou ínfima, é tão pessoal. É única.

Tal e qual impressão digital, não existe outra igual

e por isso torna-se imprescindível..."

 

 

Oi gente. Peço desculpas pelo  (abandono)  recesso aqui no blog. Sinto, mas a abstinência faz parte do meu processo criativo! Sou refém do meu amadorismo, que me permite certo desleixo e desregramento, que me mantém obrigada apenas com minha própria satisfação e liberdade, mas não com a regularidade. Tenho um ritmo próprio de trabalho que me orienta e me põe a salvo do tédio. Sou previsivelmente impossível: escorrego, escapulo. Mas volto. Assim sendo, cá estou cheia de idéias, grandes histórias e muitas expectativas. Sentiram o clima? Novidade fervilhando...

  Prezados vocês (leitores, amores – que tive - e amigos),

  Obrigada pelos nossos laços invisíveis alguns firmes outros mais frágeis. Obrigada pelas conversas madrugada a fora, pelo carinho, pela ternura, pelos beijos e pelas brigas – vocês tornaram minha vida mais densa, doce e muito mais interessante. Obrigada pela tolerância, pelo apoio, e - claro! - não posso esquecer, pelas visitas no blog... Continuem vindo e, entre um gole de café e outro, digo, entre um texto e outro, não esqueçam de comentar.

  Desejo (atrasado)  a todos um ótimo ano novo (o ano todo). Paz, saúde, amores, tardes agradáveis na praça ou estacionamento do shopping... Dança sem música e risos sem motivo óbvio. Brindemos – com champagne ou café – às tolices do passado, à vida agora e à felicidade futura.

Feliz Leitura e Próspero texto novo – sim, o ano todo!

 

 



Escrito por joy carlu às 17h45
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Fantasia de mim

 

Todo mundo tem uma fantasia. Plagiadora, comecei com a mesma afirmação que a Martha Medeiros na crônica Minha fantasia de carnaval, no seu livro Non-Stop. Quer saber qual é a minha? A mais recente: ex-estudante de Geografia, que estuda Contabilidade, adora literatura e arte contemporânea e não sabe p.n. (praticamente nada) sobre o Modernismo, muito menos sobre arte contemporânea – e de qualquer tipo! – simpática e esforçada, corre como uma louca afim de conseguir muito dinheiro e um tempinho pra gastar devagar. Acreditam nisso? Mas é sério, tá certo. Acontece com a maioria.

Não estou sendo nada original, Luis Fernando Veríssimo também falou sobre isso no texto Aleluia. O cidadão é a nossa fantasia, e durante alguns dias do ano nos liberamos para sermos nós mesmos (com capa, collant, botas de cano alto, máscaras, paetês e cinta-liga). Veríssimo cita como exemplo o super-homem, herói das histórias em quadrinhos, que se veste de Clark Kent, realizando sua fantasia de cidadão todos os dias.

Somos crianças mimadas, fantasiadas de pessoas adultas, responsáveis e maduras; levianos e incorrigíveis amantes disfarçados de respeitáveis pais de família; roqueiros rebeldes e adolescentes tardios, trajando conveniência e sensatez... até que chegue o próximo show de rock ou o chuveiro da nossa casa onde podemos ser nós mesmos uma vez no dia, pelo menos, detonando no solo da nossa guitarra imaginária.



Escrito por joy carlu às 02h24
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Muitas pessoas falam que Deus pôs a eternidade no coração do homem. Não discordo.  Eterno é algo característico do próprio Deus. É algo que durará para sempre; constante, inalterável, desmedido. Mas a eternidade está intimamente ligada a finitude. O tempo existe: o passado fica para trás; o futuro (próximo ou distante) adiante; o presente, no entanto, completa abstração. É um intervalo de tempo tão curtinho que, agora, por exemplo, já passou!

 Um dos nossos grandes defeitos é querer que os momentos durem mais tempo que o necessário para se tornarem reais. Clichê, né? “Infinito enquanto dure...”, mas é exatamente essa a idéia. Acredito que a maior característica dos relacionamentos da atualidade é intermitência. O que acontece é que esse tipo “amor-pílula” nasce predestinado a acabar, quase igual aos outros amores – só que mais rápido ainda - ele precisa do momento oportuno. Pode ser um amor de sorriso ou um amor de pele, um amor doce, lascivo ou mesmo, quem sabe, um amorzinho fofo, engraçado, improvável. Ele pode nascer num fim de tarde, num dia de chuva, no trânsito, no bate-papo pela internet, ou na pracinha depois da aula. Estranhas e inúmeras possibilidades; durar anos, meses, semanas, algumas horas, talvez nem isso. Nasce com um sorriso, desenvolve-se num beijo e acaba com a gente se fala, a gente se vê - quase na mesma hora. A diferença é o respeito pela sua característica principal: a valorização da hora que o tornou efetivo, intenso e eternamente duradouro na sua efeméride.   

 

PS: Não havendo outra oportunidade, a única não poderia ter sido melhor.

 

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...”

(FERNANDO PESSOA)

 



Escrito por joy carlu às 03h15
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Café da Hora

Laura da Hora, dos cata-ventos e das outras coisas. Laura da Hora, conterrânea minha, que admiro secretamente (agora assumidamente) pela sofisticação e pela doçura; pela forma leve, espontânea e alegre com que escreve – e parece viver – pelos distintos ventos que sopram os encantadores cata-ventos do seu blog e pelas outras coisas como o sorriso engraçado e terno acompanhado de um par de covinhas fofas que estampam o seu rosto. O gato de Alice não chega nem perto. Salve simpatia!

Apesar de comentar pouco, sempre que posso faço uma visita no seu blog Cata Vento e Outras Coisas. Hoje mesmo ela postou: “porque é sempre eu e ela”. Ela para quem não sabe é a sua irmã Laís, e a descreve como alguém com quem tem incrível afinidade e identificação que vai além ligação genética, do fato de serem irmãs. Não são só amigas mais achegadas que irmãs, mas irmãs mais próximas do que irmãs geralmente são. Uma vice, outra versa. Uma versa e a outra cata versos.

Laura faz parte da raça dos desassossegados e tem a alma livre de poeta. Não sei dizer bem o estilo dela, tenho impressão que escreve com a malemolência de quem samba: solta os versos, solta as rimas, solta os braços...solta o ritmo, solta-se inteira e solta a cabeleira - como no comercial.  

 

E, se me perguntas, Laís (a irmã dela)?

 

 Ora, direi,sambam juntas.

 

 

 

 

OBS: Visitem o blog dela, muito show! www.cataventoeoutrascoisas.blogspot.com

CATA VENTO E OUTRAS COISAS.

 

 

 

 

Moreno, 15 de Agosto de 2010.



Escrito por joy carlu às 00h31
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CHABADABADÁ

    Após de um longo período de abstinência da minha vida de blogueira (e de outras coisas que fazia na vida) encontrei algo que fizesse sentido pra mim. Muitas coisas continuam sem sentido algum, mas nessa nova fase de recuperação, pós-consolação online, voltei a ler.  (re)Encontrei Xico Sá com seus “modos de macho” em Chabadabadá – e, neste sábado (neste sábado, neste domingo, nesta segunda e nos dias seguintes... viciei), só deu ele.

 

 

Para quem não sabe Xico Sá é jornalista e escritor brasileiro (by Google), daqui de pertinho do Cariri no Ceará, criado em Recife e mora em São Paulo. Xicó, diz Ana Del Fuego (?), é um colecionador de costumes. Ele tem vários dos seus textos editados nas revistas da Folha, TPM, Bravo!, Vogue Homem e nos jornais O tempo, Diário do Nordeste e Diário de Pernambuco – coluna distribuída pela Br Press.

Eu sou  leitora, pena que não tão assídua da coluna “Modos de Macho & Modinhas de fêmea”. Ele é sempre surpreendente e o seu novo livro, Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha, é um achado para todos que lêem. É uma referência à trilha sonora do filme Um homem, Uma mulher – de Claude Lelouch. O livro é um balaio cheinho de informações sobre  a vida urbana, os tipos contemporâneos e suas complexas formas de relacionamento. Aparecem personagens como o homem-jurubeba – Adão do sertão, com raríssimos exemplares – que vem perdendo espaço para "tipinhos" como o homem-ONG e o hortinha... ah! ainda tem o homem-Tupperware (esse é o melhor!). O leitor há de se deparar com suas louvações às mulheres, com confissões dos machos com seus atributos e orgulhos feridos, com as vigarices humanas, com a sensibilidade, a frouxura e a macheza dos cabras contemporâneos; com um observador arguto da decadência masculina e com sua devoção declarada às crias de suas costelas, nós, filhas de Eva. Um verdadeiro deleite; apesar de recém lançado, um vintage literário.

 

 

Fetiche por pés... parte interna da capa do " CHABADABADÁ" 

 

 

 

Ele próprio define o livro como um guia precioso para entender os tempos de “homens frouxos”. E, vai por mim, ele entende do assunto.

 

Moreno, 11 de Julho de 2010.



Escrito por joy carlu às 23h57
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  Eu hoje fiz os meus textos sem título. Eu prefiri margens estreitas à margens largas. Para falar a verdade, o que eu precisava era de espaço. Bastante espaço. Já mudei o tempo verbal (e o tempo real) e o meu tema também mudou.

   Hoje eu não quis pontuar; precisei de uma nova orientação e de uma folha em branco. Hoje eu precisava ficar um pouco só e saber como fiquei depois de não atender tantas expectativas - as minhas, inclusive. Hoje eu precisei da minha cama e dos meus travesseiros, não havia nada na internet nem na televisão, nem mesmo os meus CDs pareciam bons companheiros e, especialmente hoje, acho que não fui uma boa companhia. Se bem que me comporto bem em público e sei ser até convincente, mas isso não me convenceu. Hoje fui anti-social. Não, não quis sair, nem falar e o meu cabelo deveria estar assanhado. Eu não escovei os dentes de propósito e meus pés estavam sujos. Eu estive cansada. Melhorei, mas ainda quero ficar um pouco só. Tirei de uma folga de mim, talvez seja sua vez... Não estou de TPM, é que hoje eu acordei meio assim...



Escrito por joy carlu às 01h11
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Duralex sedilex (mais ou menos...)

Há jeito para tudo nesta vida à exceção para políticos, para o Santa Cruz e para morte. Há jeito para a dependência química, para o alcoolismo, para a rebeldia adolescente, para os cabelos duros, para gordura na roupa, para o ser (inclusive não ser), para o nada e para as infrações de trânsito. Que o digam policiais e infratores. E eu. Depois de caso passado fica até simples comentar: fui flagrada dirigindo sem habilitação pelas autoridades competentes. Mas não vou me estender neste assunto, o que quero falar hoje é de que, desde a mais tenra idade, nós aprendemos o espaço que existe entre a permissão e a proibição; nossa forma de navegar socialmente. Nosso jeito, o que nos caracteriza – também - como Brasil.

  Segundo Roberto da Matta, na maioria dos países desenvolvidos a lei não existe, nem serve, para oprimir ou submeter o cidadão, mas a lei é um instrumento que faz a sociedade funcionar bem. Duralex sedilex! Ela é universal e sua aplicação é eficaz e segura. O que, certamente, acontece de outra forma em qualquer parte do Brasil já que os brasileiros têm uma maneira muito peculiar de encarar as situações do dia-a-dia. A lei aqui funciona mal ou não existe: no primeiro caso, não é universal, nem eficaz e pactua com privilégios sociais individuais (uma praxe). No caso de não existir... paciência! Viva a arbitrariedade, os privilégios individuais de classes, a malandragem e o jeitinho.

  A verdade é que sabemos, melhor do que ninguém, conviver com a lei que proíbe, e acabamos encontrando algo entre o ser e o nada, digo, entre o não e o sim – um lugar onde há mais mistérios do que pode supor a vossa vã filosofia – a junção do "pode" com "não pode". Por mais resistência que possamos apresentar, em algum momento, acabamos recorrendo a essa prática situada entre a lei e a desonestidade: as duas juntas; preferimos olhar nas entrelinhas.

 

Moreno, 14 de Novembro de 2009



Escrito por joy carlu às 12h29
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Berro novo (título provisório)

Um berro novo ontem foi ouvido no estande das Edições Bagaço, na Bienal do livro em Pernambuco, o berro de Jessier Matuto e sua poesia Quirina. Quem foi, gostou e quem ouviu (riu) e se arrepiou. Que hemorragia de satisfação ouvir seus causos, cantos, contos e deleitar-me na poesia rural; um vate - daqueles de porte - um matuto trovador, arquiteto de recital. O primeiro dia que fui, bem dizer, dei viagem perdida, Jessier já tinha saído, e, que pena, corri, corri e nada! Parecia mais o Santa Cruz, antes da quarta divisão: nadando, nadando e morrendo na Ilha... engano meu; aquele sábado à noite não acabava tão cedo e, do Cariri e Pajeú, entra em cena Jr. do Bode, com suas rimas e seus motes, com seus versos multicores.

Algumas pessoas desconhecem, ou ignoram, a importância da literatura regional; nossa riqueza cultural, da embolada e da cantoria, do folclore nordestino,o modo rural de vida, onde xilografam (ou xilogravam?) a nossa cultura em seus causos e suas poesias. Justamente nessa hora, poetas, como os já mencionados, ressurgem dos versos e da rimas da sabedoria popular, gastrônomos das palavras, que sabem em medida exata, como devem temperar.

A todos vocês o meu (gratíssimo) muito obrigado!

 



Escrito por joy carlu às 23h41
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Desobrigação da regularidade

Maravilhosa a entrevista (não o áudio do vídeo) com Clarisse Lispector dada ao jornalista Junio Lerner, em 1977, para o programa  Panorama. Ela é fantástica e muito esquisita, assim como eu (quer dizer, no meu caso, só esquisita!). Assisti pela pela segunda vez, o que me fez sentir ainda mais admiração por ela, que apesar de todo trabalho realizado, admite, preferia continuar sendo amadora a ser profissional. 

O profissional é alguém que se relaciona com determinada profissão. Esta relação é, geralmente, muito formal. Profissional é quem tem compromisso com o que faz, e o faz bem; domina seu campo de atuação com seus conhecimentos específicos e é reconhecido pelo bom trabalho que desempenha - embora, às vezes, não gostando daquilo que faz. Nada, talvez, nos estimule tanto quanto ouvir que nós somos profissionais, trocando em miúdos, que somos os caras(!). Assim a nossa produção é otimizada, e depois a gente descobre que odeia aquilo que faz, e que as (co)obrigações de uma carreira profissional bem sucedida podem ser muito entediantes. Exatamente nesta hora o amadorismo foi inventado como uma forma brilhante de fugir da realidade - e do trabalho- que é um tédio. E salvar, a si mesmo, através de uma doce rotina desobrigada da formalidade profissional, obrigada apenas com o prazer e com a desobrigação do fazer.

É assim que agora eu edito minhas crônicas, desobrigando-me da regularidade; uma satisfação para mim!

 

Moreno, 02 de Outubro de 2009.



Escrito por joy carlu às 22h52
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Entrevista

 

 

   Domingo, 23 de Agosto de 2009, reportagem do Fantástico sobre o misterioso desaparecimento do compositor e cantor, Belchior.

 

 

Há muita especulação sobre o seu paradeiro - se está vivo, morto, inclusive, cogita-se a possibilidade de abdução. Não consegui evitar. Logo imaginei um possível retorno deste ícone da música brasileira. Ele, por sua vez, deveria a todos nós - fãs, amigos, fofoqueiros e afins - uma boa (digo, ótima!) explicação sobre o acontecido.

  Ele estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol, apenas 10 minutos para entrevista antes de um show. Primeiro show após o seu “retorno”. E, antes mesmo que perguntassem qualquer coisa, ele diz (apontando o indicador):

- Se você vier me perguntar por onde andei... – e não conclui, cala.

- Belchior, o que temos mais curiosidade em saber, é qual foi o principal motivo da reclusão, do afastamento, aliás, sumiço (precisamente), já que ninguém tinha notícias suas. E a propósito, você tinha vários shows marcados... foi parte de algum tipo de retiro, ritual religioso?

- Não, não. Nada disso. Foi por medo de avião...

Tantos anos de carreira, tantas viagens e agora... medo de avião?! Há algo mais? Conte sobre esse lugar

 É intrigante:

 - Se houver amanhã - se eu vir amanhã - mando alguém dizer como é.

   O tempo para a entrevista está quase esgotado e, por fim, o repórter pergunta se ele tem alguma coisa para dizer aos fãs:

- São muitas emoções! Eita, desculpem! Essa é do Roberto Carlos... eu só ia dizer que eu sou apenas um rapaz latino americano sem parentes importantes (e vindo do interior). Mas trago na cabeça uma canção do rádio....

  



Escrito por joy carlu às 23h40
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O Guarda-roupas

A Martha Medeiros leu esta frase e achou perfeita: “a casa da gente é uma metáfora da nossa vida; a representação exata e fiel do nosso mundo interior”. A propósito, este era o título da crônica dela, Mundo Interior. Eu li a crônica e concordei, plenamente. E do macro para o micro, o que dizer do nosso guarda-roupas - que não guarda só roupas, mas bolsas, livros, fotos, cds, cartas, lembranças, perfumes, cheiros, além de  bagunça, muita bagunça. Poucas coisas dizem tanto sobre nós como ele, além dos vizinhos. Está tudo implícito, explicitamente. Vais entendendo?

  Alguns são grandes, outros são menores; uns cheios de tralhas, e também os quase vazios, ou meio cheios, de acordo com a preferência, ou poder aquisitivo. Mas o que importa é o que tem por dentro. Há o que caiu em desuso e as novas tendências, há sempre algumas coisas boas (talvez lá no fundo, digo, no fundo mesmo) que nunca foram usadas, e também o que só se usa em ocasiões especiais. Há algo que nunca vai ser usado, e coisas que precisam ser transferidas, pois que ficam melhores nos outros do que na gente.

   O que é mais legal nele é que a gente sempre pode resgatar as coisas boas, jogar fora as ruins, compartilhar, emprestar, limpar e inovar. Pode ser que nele tudo componha só a aparência e, talvez, a arrumação não seja a sua, mas alguma coisa tem de ser. E é. É a insatisfação de quem consome, a insatisfação de quem vive: algo pode mudado; sempre tem uma peça faltando – na prateleira ou na gaveta, como na vida.

 

Moreno, 20 de Agosto de 2009.



Escrito por joy carlu às 22h15
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títulos

Este, realmente, foi um bom título.

   Em umas das minhas crônicas já falei sobre a dificuldade que tenho de escrever. A parte ruim – que talvez seja boa - é que este parece ser um bom pretexto para não começar a escrever esta crônica, diga-se. Mas a dificuldade do dia, além da anterior, é de intitular minha produção. É como dar o nome a um filho, ou a um bichinho de estimação, sendo que a um texto. O que as calças têm haver com os fundos? Tudo. Vais entendendo: as palavras têm sentido apenas quando são usadas para designar algo relativo aos sentimentos. Quase sempre damos nome a alguma coisa de acordo com a sensação que ela provoca em nós. Exemplo: se digo que me deu um branco, é porque afirmo, em linguagem mais técnica, que foi provocada em mim uma sensação de... branco! É como se tivesse esquecido algo e, naquela hora, não conseguisse pensar em mais nada. É, portanto, sentimento. Os títulos são convites aos leitores, devem ser a maior sugestão sobre o texto. Toda a minha produção textual tem título; só que eu intitulo pela idéia que faço dela antes, como agora. Mas eles mudam de característica e eu não consigo mudar os seus nomes. Estão tão arraigados! Eu me apego fácil demais, sei disso. Não consigo evitar. Parece clichê, mas sabe a primeira impressão? É a que fica.

 

Moreno, 08 de Agosto de 2009.



Escrito por joy carlu às 01h06
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Macaco Velho

 

    Macaco velho é a pessoa que faz uma coisa há muito tempo. Eu, por exemplo, não sou macaca velha em quase nada – exceto em fazer vestibular, fiz alguns (pra não dizer vários). Já passei e já não passei no exame. E, de antemão, posso dizer, só existem duas coisas no vestibular: ser aprovado, e ser não aprovado. Como no humanitismo: O encontro de duas expansões pode determinar a supressão de uma delas. Vais entendendo? É a mesma teoria do Quincas Borba, só que ao invés de duas tribos famintas, temos milhares de vestibulandos loucos para conquistarem suas vagas. O personagem afirmava que a supressão era um princípio comum e universal. No caso citado no livro, havia um campo de batatas e duas tribos famintas, mas o alimento que havia não era o bastante para satisfazer a todos, assim como não há vagas suficientes para todo mundo que faz o teste, diga-se. A conservação dependia da guerra, e a conquista da vaga depende do desempenho na prova. No caso do vestibular, após o resultado, há eliminação ou aprovação. Aos eliminados, solidariedade e compaixão, o vestibular é como a vida... assim mesmo! Ao vencedor, os abraços, a bajulação, os band aid’s e, principalmente, as batatas, digo, as vagas.

  Sorte à macacada (inclusive a mim!!)!



Escrito por joy carlu às 23h27
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A Fila

  Sexta-feira, 31 de Julho de 2009. Pagamento da prefeitura; banco lotado; sistema fora do ar; fila gigantesca. Aproveitei o tempo livre (enquanto não chegava minha vez), sem melhores alternativas, observei a fila. A fila é um não-lugar que nos leva a determinado lugar. Ao caixa, por exemplo. Um não-lugar é um local onde por onde as pessoas transitam, porém é um espaço não habitado. As filas são seqüências de pessoas, umas atrás das outras, por ordem de chegada. Os seus freqüentadores são sempre os mesmos com caras enfadadas, mal-dormidas, insatisfeitas, feias, a maioria, impacientes, e, sem falar, em caras-de-pau (que estão por toda parte) e em caras-de-poucos-amigos. Elas possuem caráter genuinamente democrático – embora, aqui no Brasil, isso não seja bem verdade, já que nós, brasileiros, nepotistas natos, mestres na arte de burlar as leis e os bons costumes, aproveitamos constantemente a nossa posição para beneficiar outros, mais achegados. Cristovam Buarque, a propósito, já falou das filas em um de seus artigos, e afirma, o Brasil se tornou uma imensa fila de filas. Fila de vergonhas. Filas nas paradas de ônibus, para inscrições em concursos públicos; filas de pessoas à procura por um emprego; para os hospitais; filas nos bancos, filas de aposentados, filas nas lojas, e, até, fila para os banheiros.

   Filas, inclusive, de pensamentos diversos para escrever uma crônica sobre filas (e filas).

 Agosto de 2009.



Escrito por joy carlu às 18h39
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Quesito Originalidade

Algumas teorias no campo da Sociologia acreditam que na vida em sociedade quase todo tipo de comportamento é previsível; há vários grupos sociais, e todos os grupos, desde cedo, têm os seus papéis para interpretação - é a famosíssima Teoria dos Papéis. Por isso na vida em sociedade, no teatro, como na literatura, não há praticamente nada de novo (de novo!), nada de original. Nem mesmo este texto. Nem eu.

   Lendo dia desses uma crônica do Luís Fernando Veríssimo, fiquei aliviada enquanto percebia que mesmo àquelas pessoas que escrevem há anos sofrem os mesmos tipos de angústias que eu quando afiam o cálamo, e iniciam seus textos. (Ah! Por sinal, é este o título da crônica: Afiando o cálamo). O que escrever? Não é falta de criatividade - talvez de assunto -, mas a ansiedade de, em linhas recém começadas, falar tudo sobre o texto. Um verdadeiro ritual, como diz. A preparação para uma belíssima apresentação sobre sua - não única – idéia; seu rigor metodológico, sem falar na originalidade da abordagem do tema proposto sem desvios ou distorções. Isso, supostamente. Claro!

   São os ossos (juntas e medúlas) do ofício. Onde tudo muda, exceto a angústia, exceto o medo, exceto o script do escritor (enquanto ator social) - previsível do ponto de vista sociológico. A confecção da frase-prima: invejando o ourives quando escreve. Tapiando o leitor.

 

Julho de 2009.



Escrito por joy carlu às 01h44
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